Notas musicais
A expressão passo da natureza é título da canção do artista acreano Antônio Pedro, um dos principais representantes do gênero musical Baque. A inspiração de muitos cancioneiros do estado do Acre vem de suas origens de nascimento que são os seringais da região.
Moacir de todos os santos. Leitieres Leite e Orkestra Rumpilezz. Rio de Janeiro: Rocinante, 2022. A foto deste trabalho me atravessou, desde o início. O grupo musical está vestido de roupas brancas
A música Mapa do meu nada, que encontrei na voz de Cassia Eller, foi uma referência, para mim, nesse rumar da tese. Leio esta música como uma cartografia táctil de um corpo que procura conhecer e navegar por outros corpos
Uma menção ao universo da canção Mistério do Planeta (1973) do grupo Novos Baianos.
Errância é título da canção do artista mineiro Rafael Pimenta. O que me pegou de “assalto”, nessa música, foi a letra que menciona em seus primeiros versos “depois de dar tempo ao tempo, hesitar em silêncio, oscilar…”. Isso se reverberou com tamanha intensidade no que estava construindo naquele momento. Senti uma harmonia dissonante, me perdi, embarcando sem medo, ressoando imagens, vivendo a multiplicidade da experiência pelo mar da Internet.
A ideia aqui foi apresentar esta tese no formato de um manual de navegação, o que se mostrou finalmente possível para introduzir as coisas. Navegar é preciso, viver não é preciso — um verso de Fernando Pessoa que aparece na letra da música de Caetano Veloso e que me retumba. Não saberia anunciar, se não me jogasse na vazão da tese que navegou pelos memes da Amazônia e que transitou com o currículo em misturas com as sonoridades das águas. A manualidade da tese se deu em um agir tateante que buscou se expressar em navegações.
“[…] as coisas não dão certo. Nunca deram certo. Não foram feitas para dar certo. Nós é que temos a ambição do alinhamento e da simetria. E até inventamos deuses perfeitos, construímos à imagem e semelhança do que sonhamos. As coisas não dão certo. Nós é que cerzimos o pano, obturamos o dente, remendamos a fronteira no mapa e inauguramos na estátua de chumbo um simulacro de ave. Queremos crer que as coisas dão certo, que as coisas agora estão dando certo e — se deus quiser — sempre darão”.
Um cadáver agradável (2014) é um curta metragem feito por estudantes da Pontifícia Universidade Católica (puc-mg). Participam dele “conhecidos” amigos belo-horizontinos. Cenas foram filmadas neste apartamento da rua Venezuela que vivi por mais de vinte anos.
Minha mãe coletava e armazenava em casa geralmente o que era dispensado no lixo do bairro Sion. Essas coisas serviam como inspiração para sua criação. Esse foi o tom de sua arte: a combinação. Amar e mudar as coisas, interessava mais à Maitê, parafraseando o artista Belchior, pensando como fazer suas combinações.
“Tudo que tentei falhou”: título da canção da banda Porcas Borboletas que serviu de inspiração para retratar a minha experiência de sala de aula como professor de geografia de 6º a 9°ano na escola Berta Vieira em Rio Branco no estado do Acre.
Ouvindo a canção Salve a humanidade do compositor Tom Zé, me apeguei a um verso da música: o homem fez o fogo por curiosidade. Essa cena que remontou a gênese humana, me produziu o alerta de que a comunicação mudou ao longo desses séculos. Mas, afinal, o que de fato salvou a humanidade? Para Tom Zé, foi a curiosidade, não há quem a cure. Hoje, o fogo na Amazônia tem sido um sinal de destruição da floresta.
Fui inspirado pelo trabalho musical de dois artistas acreanos: Kelvin Illith e Eanes Henrique. Ouvi essa expressão numa música do grupo Saramagos. Garotos diabólicos e artistas rebeldes que mudam o curso das artes na cidade de Rio Branco-ac.
Sentindo dúvida, trazendo mais incertezas e teimando com a música, caberia ainda musicar? Consegui fazer isso, vivendo em estado de criação. Vivi me perdendo pelos afluentes. Agora, toquei o barco com as canções-força. Musiquei com a Amazônia. A linguagem não deu conta de tudo. Me criei com as estrelas que mirei no céu. Foi como um salto de uma rã na música de Caetano Veloso e João Donato. Me inspirei com as águas da Serra de Azevedo, em Moeda-mg. Experimentei sonoridades e sabores da terra, mineirices; cantarolei melodias ouvindo passarinhos, criando com meus instrumentos musicais.
A metáfora/imagem das águas apareceu em imagens que explorei na escrita da tese. Não houve escapatória, pois não sabia nem nadar: mas até isso aprendi em Florianópolis. Imaginar a Amazônia foi experimentar com as águas profundas. Explorei a textura das coisas. Extravasei linhas. Havia escutado a canção Os Povos de Milton Nascimento, pois procurava uma ambiência que pudesse me inspirar.
Às vezes, me senti numa conexão inter-planetária, como poetizou o músico Tom Zé na imagem de um vira-lata na via-láctea. Na sarjeta dos cosmos, me embebi da poesia dos astros. Todo encontro foi encantamento.
A expressão passo da natureza é título da canção do artista acreano Antônio Pedro, um dos principais representantes do gênero musical Baque. A inspiração de muitos cancioneiros do estado do Acre vem de suas origens de nascimento que são os seringais da região.
Moacir de todos os santos. Leitieres Leite e Orkestra Rumpilezz. Rio de Janeiro: Rocinante, 2022. A foto deste trabalho me atravessou, desde o início. O grupo musical está vestido de roupas brancas
A música Mapa do meu nada, que encontrei na voz de Cassia Eller, foi uma referência, para mim, nesse rumar da tese. Leio esta música como uma cartografia táctil de um corpo que procura conhecer e navegar por outros corpos
Uma menção ao universo da canção Mistério do Planeta (1973) do grupo Novos Baianos.
Errância é título da canção do artista mineiro Rafael Pimenta. O que me pegou de “assalto”, nessa música, foi a letra que menciona em seus primeiros versos “depois de dar tempo ao tempo, hesitar em silêncio, oscilar…”. Isso se reverberou com tamanha intensidade no que estava construindo naquele momento. Senti uma harmonia dissonante, me perdi, embarcando sem medo, ressoando imagens, vivendo a multiplicidade da experiência pelo mar da Internet.
A ideia aqui foi apresentar esta tese no formato de um manual de navegação, o que se mostrou finalmente possível para introduzir as coisas. Navegar é preciso, viver não é preciso — um verso de Fernando Pessoa que aparece na letra da música de Caetano Veloso e que me retumba. Não saberia anunciar, se não me jogasse na vazão da tese que navegou pelos memes da Amazônia e que transitou com o currículo em misturas com as sonoridades das águas. A manualidade da tese se deu em um agir tateante que buscou se expressar em navegações.
“[…] as coisas não dão certo. Nunca deram certo. Não foram feitas para dar certo. Nós é que temos a ambição do alinhamento e da simetria. E até inventamos deuses perfeitos, construímos à imagem e semelhança do que sonhamos. As coisas não dão certo. Nós é que cerzimos o pano, obturamos o dente, remendamos a fronteira no mapa e inauguramos na estátua de chumbo um simulacro de ave. Queremos crer que as coisas dão certo, que as coisas agora estão dando certo e — se deus quiser — sempre darão”.
Um cadáver agradável (2014) é um curta metragem feito por estudantes da Pontifícia Universidade Católica (puc-mg). Participam dele “conhecidos” amigos belo-horizontinos. Cenas foram filmadas neste apartamento da rua Venezuela que vivi por mais de vinte anos.
Minha mãe coletava e armazenava em casa geralmente o que era dispensado no lixo do bairro Sion. Essas coisas serviam como inspiração para sua criação. Esse foi o tom de sua arte: a combinação. Amar e mudar as coisas, interessava mais à Maitê, parafraseando o artista Belchior, pensando como fazer suas combinações.
“Tudo que tentei falhou”: título da canção da banda Porcas Borboletas que serviu de inspiração para retratar a minha experiência de sala de aula como professor de geografia de 6º a 9°ano na escola Berta Vieira em Rio Branco no estado do Acre.
Ouvindo a canção Salve a humanidade do compositor Tom Zé, me apeguei a um verso da música: o homem fez o fogo por curiosidade. Essa cena que remontou a gênese humana, me produziu o alerta de que a comunicação mudou ao longo desses séculos. Mas, afinal, o que de fato salvou a humanidade? Para Tom Zé, foi a curiosidade, não há quem a cure. Hoje, o fogo na Amazônia tem sido um sinal de destruição da floresta.
Fui inspirado pelo trabalho musical de dois artistas acreanos: Kelvin Illith e Eanes Henrique. Ouvi essa expressão numa música do grupo Saramagos. Garotos diabólicos e artistas rebeldes que mudam o curso das artes na cidade de Rio Branco-ac.
Sentindo dúvida, trazendo mais incertezas e teimando com a música, caberia ainda musicar? Consegui fazer isso, vivendo em estado de criação. Vivi me perdendo pelos afluentes. Agora, toquei o barco com as canções-força. Musiquei com a Amazônia. A linguagem não deu conta de tudo. Me criei com as estrelas que mirei no céu. Foi como um salto de uma rã na música de Caetano Veloso e João Donato. Me inspirei com as águas da Serra de Azevedo, em Moeda-mg. Experimentei sonoridades e sabores da terra, mineirices; cantarolei melodias ouvindo passarinhos, criando com meus instrumentos musicais.
A metáfora/imagem das águas apareceu em imagens que explorei na escrita da tese. Não houve escapatória, pois não sabia nem nadar: mas até isso aprendi em Florianópolis. Imaginar a Amazônia foi experimentar com as águas profundas. Explorei a textura das coisas. Extravasei linhas. Havia escutado a canção Os Povos de Milton Nascimento, pois procurava uma ambiência que pudesse me inspirar.
Às vezes, me senti numa conexão inter-planetária, como poetizou o músico Tom Zé na imagem de um vira-lata na via-láctea. Na sarjeta dos cosmos, me embebi da poesia dos astros. Todo encontro foi encantamento.
